Professora brasileira é deportada da Espanha e alega racismo

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Depois de cerca de seis meses planejando sua viagem de férias, a professora de geografia Stella Silva, 39, embarcou para a Cantábria, na Espanha, onde iria reencontrar a irmã e o cunhado, que vivem na cidade. Mas, quando pisou em território espanhol, no Aeroporto de Barajas, em Madrid, no dia 25 de dezembro, Stella foi impedida de seguir o roteiro planejado. Foram três dias aguardando a avaliação do seu caso, até receber a notícia de que não poderia permanecer no país. No dia 29 de dezembro, ela desembarcava no Brasil, após ser deportada.

Mesmo tendo em mãos uma carta-convite do cunhado espanhol, dois cartões de crédito internacionais desbloqueados, a passagem de volta comprada, além de contracheques das duas escolas onde trabalha em Ipiaú, cidade onde mora, no Sul da Bahia, a polícia espanhola determinou que ela não tinha documentos suficientes para justificar sua estadia. Dos que foram solicitados, o único que não tinha com ela era o extrato da conta corrente. “Eles alegaram que a carta não tinha validade, porque não explicava o que eu ia fazer lá”, conta.
A carta foi assinado pelo cunhado dela, que é cidadão espanhol. (Foto: Acervo Pessoal)
Para ela, o que viveu foi um episódio de racismo. “Nunca fui exposta ao racismo de forma tão explícita e severa como fui na Espanha”, diz a professora, que permaneceu em um dormitório no aeroporto de Madrid por três dias. O local contava com cinco quartos, cada um com cerca de dois beliches. Lá, ela não tinha acesso ao seu celular, notebook e malas, e precisava pedir permissão para fazer ligações do telefone público e até para usar desodorante.
É uma violação de direitos humanos, racismo e preconceito a situação que ela viveu em território espanhol, afirma Manoel Campos, o advogado de Stella
Ela alega ter sido tratada com rispidez pelos policiais do local desde a primeira vez que foi entrevistada no aeroporto. “Ninguém na fila estava sendo chamado daquela forma, inclusive ela [a policial] chamou outras pessoas de forma normal”, relembra. Ao todo, passou por três entrevistas antes de ser informada de sua deportação. Ela tentou recorrer da decisão com o auxílio da defensora pública espanhola Vilma Benel. “Ela dizia que ele (um dos policiais) precisava reconhecer que eu tinha muito mais do que o Estado espanhol pede”, conta.
“Em um momento, eu disse ‘isso está acontecendo porque sou negra, mulher, solteira e estou sozinha. Depois que falei isso, os policiais se tornaram mais hostis. Eu tinha medo de pedir qualquer coisa”, lembra. No dia 28, permaneceu sozinha no dormitório.
Eu olhava para os policiais e sentia pavor, relembra Stella
Já em solo brasileiro, ela decidiu entrar em contato com o advogado Manoel Campos, especialista em Direito Internacional, para reivindicar seus direitos. “Houve a caracterização de preconceito racial por ser mulher latino americana e negra”, classifica Campos. Segundo ele, na última segunda-feira (7), a denúncia foi formalizada no Ministério das Relações Exteriores e no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.
Agora, Stella quer ser ouvida pelos representantes dessas instituições e por um representante do governo espanhol. “Infelizmente, não sou um caso isolado. Espero, no mínimo, ser ressarcida por tudo o que gastei e indenizada pelos danos”, destaca. Ela investiu, pelo menos, R$ 3,4 mil só nos transportes necessários para ir de Ipiaú até Madrid. Segundo Campos, as autoridades ainda não se posicionaram.
*Informações retiradas do Correio
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